Branca de Neve: uma reflexão parte 2
Passados 18 dias desde o meu primeiro texto neste blog, o live action de Branca de Neve continua indo mal nas bilheterias. O filme, até aqui, não chegou a U$ 100 milhões nos Estados Unidos e muita gente já o chama de "fracasso de bilheteria". Isso me faz refletir sobre mais motivos para o filme ter tido esse desempenho nos cinemas mundo afora. Percebi um outro motivo que ninguém falou até agora, além daquele que eu já havia falado anteriormente.
Para entender esse motivo, vamos voltar um pouco no tempo. Em 2022 o filme ganhou uma data de estreia: 22 de março de 2024. A expectativa cresceu. Mas no dia 30 de outubro de 2023, a Disney anunciou que o filme teria sua estreia adiada em um ano, ficando para 21 de março de 2025. O motivo do adiamento foi a grande greve dos artistas e técnicos de Hollywood em 2023, que afetou vários projetos para o cinema. A princípio, o adiamento não parecia tão ruim. O filme já tinha sido todo filmado, bastava esperar mais 12 meses para a sua conclusão e, enquanto isso, ver outros projetos muito aguardados chegarem às telonas como Divertida Mente 2 e Mufasa: O Rei Leão. Mas esse adiamento, no final, acabaria sendo mais um problema que sabotaria o live action de Branca de Neve. Por quê? Ocorre que, no um ano que separou a estreia original da data final, as polêmicas em torno do filme aumentaram muito. Principalmente as de natureza política.
Em agosto de 2024, quando o primeiro trailer do filme foi lançado, a atriz Rachel Zegler aproveitou para fazer uma postagem nas redes sociais em apoio a Palestina. Isso no mesmo momento em que ocorria a Guerra Israel-Hamas na Faixa de Gaza. A repercussão foi gigantesca e dividiu o público. Gal Gadot, que interpreta a Rainha Má, também se manifestou, mas em defesa de Israel. Grande parte do público não gostou do posicionamento das duas e, a partir daí, passou a defender que o filme fosse boicotado. Surgiram ainda boatos de uma briga de Zegler e Gadot, exatamente por uma defender a Palestina e a outra Israel. E segundo informações de bastidores, a postagem de Zegler também acabou por jogar, ainda que involuntariamente, parte do público contra Gadot, que passou a receber até ameaças de morte. Isso também pode ter acirrado a briga entre as duas. O estúdio teve que contratar mais seguranças para proteger Gadot e, segundo fontes da imprensa, pediu para que Zegler não se manifestasse novamente em apoio a Palestina, para evitar que o filme fosse mais prejudicado. Mas Zegler se recusou a apagar a postagem que fez e misturou seu apoio a Palestina com a divulgação do filme, o que contribuiu para prejudicar ainda mais o longa-metragem. Gadot, ao contrário, não misturou seu apoio a Israel com o filme nas redes sociais. Meses depois, Zegler também disse na internet que Gadot é "uma rainha profissional dos concursos de beleza", o que foi visto como uma maneira rude e debochada de se referir à colega e, segundo informações dos bastidores, teria acabado de vez com a boa relação das duas. Zegler e Gadot se mantiveram distantes nos eventos de lançamento do filme, já em março de 2025. Na única vez em que apareceram juntas, para apresentar a categoria de Melhores Efeitos Especiais no Oscar 2025 (que também ocorreu em março), as duas nem se olharam, aumentando ainda mais os boatos de que elas estariam brigadas. E muita gente, motivada pelas declarações políticas das duas, seguia convicta a boicotar Branca de Neve, sem nem ver primeiro se o filme era bom ou não.
Se o filme tivesse sido lançado em 22 de março de 2024, quando ainda não havia tanta polêmica em torno das duas atrizes principais, muito provavelmente o filme teria feito mais sucesso nas bilheterias. Quem diria que o adiamento, que parecia não ser nada, contribuiria tanto para afundar o filme.
Apesar de tudo, o filme teve suas qualidades. Seria uma pena essa história terminar assim.

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